O ReCAP segmenta os cursos e exigências por Graus de Complexidade Funcional (Grau 1, 2 e 3). Uma avaliação justa exige que não meça um Assistente Técnico (Grau 2) com a régua de competências de liderança ou autonomia de um Técnico Superior (Grau 3).
Mas para interpretar de forma completa o SIADAP 3, há que fazer a ligação entre o disposto na Lei n.º 66-B/2007, de 28 de dezembro, na sua versão atualizada) com o teor da Portaria n.º 214/2024/1, de 20 de setembro (que aprovou o ReCAP) e da Portaria n.º 236/2024/1, de 27 de setembro. Dada a complexidade do sistema, criámos duas tabelas para facilitar a compreensão dos diferentes níveis de exigência de cada um dos comportamentos: competências nucleares e competências funcionais cuja consulta aconselhamos.
Avalie o/a trabalhador/a estritamente dentro do seu quadrado funcional e baseie a recolha de evidências nos verbos de ação do ReCAP para o grau específico que está a avaliar. Por exemplo, na competência Orientação para o Serviço Público, o Grau 3 exige “prevenir ameaças a princípios éticos”, enquanto graus inferiores exigem “prontidão e disponibilidade”.
A Entrevista de Avaliação de Competências (EAC) é a ferramenta central para garantir que o processo é bidirecional e não se aplica apenas nos processos de recrutamento e seleção, mas também no âmbito do SIADAP 3:
- Envie os três comportamentos ReCAP de cada uma das competências que irão ser avaliadas e peça ao/á trabalhador/a que identifique situações do dia a dia onde os aplicou;
- Durante a entrevista, foque o diálogo no método STAR: Situação enfrentada, Tarefa necessária, Ação tomada e Resultado obtido;
- Se o/a trabalhador/a argumentar que merece nota máxima numa competência, o método STAR força a apresentação de factos, eliminando discussões baseadas em opiniões.
Se houver mudança de avaliador/a a meio do ano civil, a transparência corre sérios riscos caso não sejam acautelados os seguintes procedimentos:
- Utilização obrigatória da Ficha de Elementos (anexo VIII da Portaria n.º 236/2024).
- O/a avaliador/a cessante deve pontuar cada um dos três comportamentos com base na sua observação direta até à data da saída. Isso garante que o esforço do trabalhador nos primeiros meses do ano fique formalmente salvaguardado e sirva de base justa para o novo avaliador.
Para garantir uma avaliação justa e transparente, apresentamos um guião de entrevista estruturado com o método STAR (Situação, Tarefa, Ação, Resultado). Escolhemos a competência “Orientação para os Resultados” do ReCAP (Grau de Complexidade Funcional 3 – Técnicos Superiores), com foco nos comportamentos padrão exigidos pela nova regulamentação do SIADAP 3.
Guião de Entrevista STAR: Orientação para os Resultados (ReCAP – Grau 3)
Introdução à Entrevista (alinhamento de expectativas)
“O objetivo desta conversa é analisar em conjunto como aplicou a competência ‘Orientação para os Resultados’ no último ciclo. Vamos usar o método STAR pelo que vou pedir-lhe que se foque num exemplo real e específico, explicando a situação, o que tinha de fazer, o que fez concretamente e o que alcançou.”
Comportamento 1 (nível de exigência 3): ” Ultrapassa obstáculos e dificuldades na persecução dos objetivos, de forma a alcançar os resultados previstos.”
- S (Situação):
- “Pense numa meta ou projeto desafiante que lhe foi atribuído último ano. Qual era o contexto e que obstáculos iniciais identificou?”
- T (Tarefa):
- “Qual era a sua responsabilidade direta nessa situação e o que se esperavam que entregasse?”
- A (Ação):
- “Que ações concretas tomou por iniciativa própria — sem que ninguém lhe pedisse — para garantir que a meta seria atingida apesar das dificuldades?”
- R (Resultado):
- “Qual foi o desfecho? Como é que a sua proatividade influenciou diretamente o cumprimento do prazo ou da qualidade do trabalho?”
Comportamento 2 (nível de exigência 4): “Avalia as necessidades de recursos e gere o que pode ser partilhado, reduzido ou eliminado.”
- S (Situação):
- “Lembra-se de algum momento em que o fluxo de trabalho ou um procedimento do serviço bloqueou ou se revelou ineficaz?”
- T (Tarefa):
- “Qual foi o impacto desse problema no dia a dia da equipa ou no serviço ao cidadão?”
- A (Ação):
- “Que solução de melhoria ou simplificação propôs concretamente? Como a desenhou e a apresentou à chefia/equipa?”
- R (Resultado):
- “Essa proposta foi implementada? Que ganhos de tempo, recursos ou desburocratização foram alcançados com a sua ideia?”
Comportamento 3 (nível de exigência 3): ” Apresenta contributos para a prevenção e correção de falhas e para a melhoria de processos e procedimentos.”
- S (Situação):
- “Conte-me sobre uma situação em que tudo parecia correr mal num projeto ou tarefa importante (exemplo: falta de pessoal, falhas informáticas, prazos encurtados).”
- T (Tarefa):
- “O que estava em risco se o resultado não fosse alcançado?”
- A (Ação):
- “Quando o plano A falhou, o que fez? Que estratégias alternativas ou recursos (humanos, técnicos ou materiais) mobilizou para contornar o problema?”
- R (Resultado):
- “Como terminou a situação? Conseguiu entregar o trabalho? O que aprendeu com esse processo para o futuro?”
Matriz de Avaliação Rápida (Para o/a avaliador/a) – Utilize as respostas do/a trabalhador/a para fundamentar a nota na ficha do SIADAP 3 de forma matemática e factual:
- Nota 1 (Abaixo do Esperado): O trabalhador não conseguiu apresentar exemplos claros (respostas vagas como “eu faço sempre tudo bem”), ou os exemplos mostram que desistiu perante as dificuldades ou esperou sempre por ordens superiores.
- Nota 3 (Adequado – Padrão Médio): O trabalhador apresentou exemplos claros do cumprimento das metas, resolveu os problemas normais do dia a dia e executou as tarefas com a persistência esperada para as suas funções.
- Nota 5 (Supera Claramente): O trabalhador demonstrou que a sua ação gerou um impacto sistémico (exemplo: a simplificação que propôs foi adotada por todo o departamento; a sua persistência salvou um projeto crítico com forte impacto externo).