Após termos estado presentes na apresentação pública da proposta de Estratégia Municipal para a Cultura em Almada (2026-2034) procedemos à sua leitura atenta e análise minuciosa.
Face à extensão e complexidade do documento, o contributo da Associação de Cidadania de Cacilhas – O FAROL visa salientar apenas as referências fundamentais baseadas na nossa experiência concreta.
Falamos enquanto instituição ativa na vivência da comunidade almadense nos últimos 20 anos, sustentada pelos contributos dados à cultura local pelos nossos associados no movimento associativo ao longo destas duas décadas.
Abaixo, estruturam-se os eixos centrais de análise e propostas de articulação entre a estratégia municipal e a realidade do terreno por nós observada e vivida.
- Sinergias Territoriais e Articulação Institucional
A dinamização cultural no concelho de Almada deve assentar numa ligação real, colaboração e integração efetiva entre a Câmara Municipal (CMA), as Juntas de Freguesia, o Movimento Associativo e as Escolas locais.
- É urgente criar formas de comunicação e articulação que impeçam a sobreposição de atividades evitando a duplicação de esforços.
- Propõe-se uma calendarização conjunta de projetos que gere sinergias e ganho de escala (volume), permitindo alcançar realizações mais estruturantes, ambiciosas e com maior impacto público.
- Juventude, Escolas e a Regeneração do Associativismo
Para aproximar as novas gerações e revitalizar as estruturas locais, é crucial ligar os setores da juventude ao território:
- Desenvolver projetos nas escolas promovidos pela CMA e Juntas de Freguesia em parceria direta com as coletividades de cada zona.
- Esta articulação permitirá às associações colocar as suas instalações, conhecimentos e meios ao serviço dos jovens, transmitindo a identidade cultural almadense da qual são depositárias e divulgadoras há mais de um século.
- Caberá às estruturas camarárias e às Juntas de Freguesia a orientação estratégica e a definição clara dos objetivos a atingir.
- Urge utilizar as novas tecnologias e criar linguagens atrativas para que a juventude participe ativamente na discussão dos temas da cidadania, na preservação da identidade cultural e na defesa do nosso Património e História.
- Integração Escolar, Migrantes e Interculturalidade
Historicamente, Almada sempre processou a integração de migrantes — vindos de outras regiões de Portugal ou do estrangeiro — de forma fraterna e tolerante, acrescentando novas valências à nossa identidade pelo que, face à atual realidade demográfica escolar importa:
- Para além da necessária aprendizagem da língua portuguesa, é fundamental que os alunos das diversas nacionalidades e culturas compreendam os hábitos e a cultura locais que pretendemos preservar.
- A cultura deve funcionar como a plataforma de acolhimento e partilha que garante a coesão social nas salas de aula e nos bairros.
- Escala Europeia e Capacitação Financeira
Embora a estratégia apele à valorização do território, as associações de base voluntária enfrentam frequentemente barreiras burocráticas severas.
- É fundamental que o município crie canais técnicos e linhas de apoio específicas para capacitar as associações a desenhar, dimensionar e candidatar projetos a fundos comunitários europeus, permitindo ao associativismo local ganhar uma nova dimensão financeira e operacional.
- Compromisso e Disponibilidade Cooperativa
Como documento aberto que é, o sucesso desta estratégia dependerá da capacidade da autarquia em integrar os contributos das plataformas cívicas ao longo dos próximos oito anos.
A Associação O FAROL reafirma a sua total disponibilidade para colaborar no prosseguimento desta discussão e na sua posterior concretização. Como prova prática deste compromisso, colocamos desde já ao dispor de futuras iniciativas municipais o nosso arquivo documental e fotográfico, resultado do protocolo celebrado com a Escola Secundária Cacilhas-Tejo, salvaguardando a memória para construir o futuro cultural de Almada.
Pela Direção
Henrique Mota (Presidente)
Ermelinda Toscano (Secretária)